Vamos retomar a função primeira deste espaço, democrático e universal, como cunha que se interpõe aos tempos de coisas efêmeras, quase inexistenciais, imperceptivas. Vamos fazer dele uma forma de manifestação solitária, como é de fato o ato de pensar e registrar esse pensamento, mesmo com as diversas possibilidades de se colar em pensamentos outros.
Vamos criticar sempre, porque entendemos que somente, a partir e por meio do pensamento crítico, podemos traçar outras formas de ação, construir outras visões de mundo. O mundo imundo da construção histórica.
Poderia parecer pretensioso se não fosse a própria pretensão uma espécie de camada primeira dos planos de inserção do ser em contextos diversos. No entanto, para que isso de fato ocorra, ou mesmo a sua reversibilidade, a descontextualização, precisamos estabelecer, forçosamente, as estratégias, como apropriação de recursos de todas as naturezas, humanas ou não, das interpretações do curso dos acontecimentos, as compreensões desses próprios acontecimentos em seus cursos inexoráveis.
Começaremos, então, tocando nos aspectos simbólicos desse cotidiano simples e enfadonho. Reconhecemos que a vida é constituída de situações provisórias, escondendo sempre a sua falsa linearidade. E, por isso mesmo, deveríamos celebrá-la, não na perspectiva biológica, fisiológica da existência em si, mas, fundamentalmente, pelas nossas próprias perspectivas de permanentes intervenções na vida, da vida, pela vida. De volta da ida sem fim.
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